Carta do Editor

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A edição 197 da revista Conjuntura & Planejamento retrata um cenário ainda incerto para a atividade econômica. No terceiro trimestre do ano de 2019, o panorama mundial permanece em desaceleração, apesar das estimativas positivas de crescimento. No Brasil, de acordo com a equipe de conjuntura da SEI, os resultados da atividade econômica sinalizam para uma retomada bastante gradual do Produto Interno Bruto (PIB). O Índice de Atividade Econômica do Banco Central do Brasil (IBC-Br), proxy mensal do PIB, avançou 0,44% na passagem de agosto para setembro, ajustada a sazonalidade, conforme divulgado pelo Banco Central do Brasil.


Este número da revista apresenta, na seção Ponto de Vista, a percepção da Dra. Julieta Maria Cardoso Palmeira, médica geriatra e secretária de Políticas para as Mulheres – Bahia. Segundo Palmeira, na atualidade, as políticas para mulheres estão em retrocesso e as brasileiras resistem para garantir as suas conquistas. Na sua avaliação, a retirada do porte de ministério da Secretaria Nacional de Políticas para Mulheres significa não somente impacto na disponibilidade de área técnica e de gestão para formular e implementar políticas, mas principalmente nos recursos orçamentários para investir nessas políticas de enfrentamento à violência contra as mulheres e de combate à desigualdade de gênero. Assim, se faz necessária a existência de programas educativos de forma sistemática e de ações de sensibilização.


A seção Entrevista traz a conversa com o Dr. Pedro H. G. Ferreira de Souza, sociólogo pela UnB e pesquisador do Ipea. Atuante nas áreas de pesquisas que incluem desigualdade de renda, pobreza, mobilização e políticas sociais, Souza faz uma explanação sobre a desigualdade de renda no Brasil. Em sua opinião, esse problema nunca foi “atacado” estruturalmente, e nem ousamos em fazer reformas mais profundas. Também acredita, assim como alguns estudiosos, que a escravidão contribuiu para o processo de concentração no Brasil, mas defende que não se deve atribuir essa questão apenas ao passado. Pois a desigualdade foi sendo reproduzida de novas maneiras ao longo do tempo.


Entre os artigos que integram este número da revista está o de Andressa Lemes Proque, intitulado “O efeito dos indicadores socioeconômicos sobre o status de saúde nos municípios baianos”. Nesse trabalho, a autora analisa a relação entre os indicadores socioeconômicos e a qualidade da saúde para a população residente nos 417 municípios do estado da Bahia. Segundo Proque, a compreensão de como os indicadores socioeconômicos afetam a saúde individual pode gerar questões importantes para fins de políticas públicas e de qualidade de vida dos indivíduos. Outro trabalho é o de Rosangela Moreira de Oliveira, Carolina de Andrade Spinola, Laumar Neves de Souza e José Gileá com o tema “Programa de Fomento à iniciação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia: objetivos e resultados alcançados”. A pretensão dos autores foi identificar quais são as bases que sustentam e dão sentido ao Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), fomentado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), assim como procurar avaliar qual tem sido a sua eficácia, por meio dos resultados por ele alcançados.


Assim, a edição 197 da C&P reforça o objetivo de oferecer uma avaliação sobre o planejamento e os desafios para as economias brasileira e baiana. Nesse aspecto, a SEI, não tendo pretensões de esgotar o assunto nem de emitir juízo de valor sobre as questões aqui discutidas, convida o leitor a fazer uma reflexão sobre o comportamento da economia nos âmbitos nacional e estadual, em curto e longo prazos.

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