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A edição 198 da revista Conjuntura & Planejamento faz uma análise da trajetória da economia brasileira e baiana em 2019. Nesse período, o país vivenciou um processo de lenta retomada do crescimento, colocando no centro das discussões as expectativas para condução da política macroeconômica em 2020.


As incertezas políticas permaneceram em 2019, entretanto a atividade econômica começou a apresentar sinais de reversão do ciclo. No Brasil, o Produto Interno Bruto (PIB) registrou crescimento de 1,1% em 2019 em relação ao ano anterior, de acordo com as Contas Nacionais Trimestrais (2019) divulgadas pelo IBGE. Na avaliação da equipe de análise conjuntural, num cenário de baixo crescimento dos indicadores nacionais, taxas reduzidas de inflação e de juros e ambiente econômico global em desaceleração, a economia baiana praticamente repetiu o mesmo desempenho do ano anterior, levando-se em consideração as peculiaridades de cada setor de atividade econômica.


Entre os colaboradores, esta edição apresenta na seção Ponto de Vista uma reflexão do diretor de Indicadores e Estatísticas da SEI/Seplan-BA e vice-presidente do Conselho Regional de Economia – Corecon-BA, Gustavo Casseb Pessoti, sobre estarmos diante de uma nova década perdida. Na sua avaliação valem para esse período praticamente os mesmos pilares de outrora. Crise fiscal e financeira do Estado, manifestada pela baixa arrecadação e incapacidade de reverter o déficit público, dificuldades externas advindas das instabilidades na geopolítica internacional, que provocaram oscilações
nas relações comerciais brasileiras e inexpressiva taxa de formação bruta de capital fixo em proporção do PIB, além da elevada taxa de desemprego, talvez a maior mudança na comparação entre os dois períodos. 


A seção Entrevista traz uma contribuição do presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon), Antonio Corrêa de Lacerda. Nessa conversa, Lacerda faz uma reflexão sobre a necessidade da realização de uma discussão mais séria sobre as alternativas para a economia brasileira. Na sua avaliação o debate macroeconômico brasileiro é influenciado por sofismas que dificilmente se sustentam à luz das melhores teorias e bem-sucedidas políticas econômicas adotadas internacionalmente. Um exemplo é a visão equivocada de “economia doméstica” no que se refere ao orçamento público. A falsa ideia de que “o Estado tem que fazer como as famílias, que reduzem seu gasto na crise”, foi um dos argumentos para a aprovação, no final de 2016, da Emenda Constitucional 95.


Entre os artigos que integram este número da revista está o de Leonardo Silvério G. de Santana e colaboradores, intitulado Uma análise sobre o crescimento da cidade de Salvador (BA) e os reflexos na segregação socioespacial. Nesse trabalho, propõe-se discutir acerca do crescimento e das transformações urbanas, destacando os aspectos do planejamento e da segregação socioespacial. Outro trabalho é o de Carla Janira Souza do Nascimento, com o tema Indústria de bebidas na Bahia: desempenho e perspectivas. O seu objetivo é apresentar um panorama recente do setor de bebidas na Bahia.


Assim, a edição 198 da C&P, além de oferecer discussões de caráter estruturante sobre o planejamento e os desafios para as economias brasileira e baiana em uma conjuntura adversa, aborda alternativas que viabilizem o crescimento econômico em longo prazo. Nesse aspecto, a SEI, não tendo pretensões de esgotar o assunto nem de emitir juízo de valor sobre as questões aqui discutidas, convida o leitor a fazer uma reflexão sobre as variáveis que determinam o comportamento da economia nos âmbitos nacional e estadual, em curto e longo prazos.

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