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O final do primeiro trimestre de 2020 foi marcado pela oficialização, por meio dos órgãos competentes, de que o mundo enfrentava uma pandemia. A maior crise sanitária dos últimos 100 anos,  provocada pela covid-19, transformou-se também numa crise econômica. A fim de informar seus leitores sobre a excepcionalidade do momento para a economia brasileira e baiana, a Edição 199 da revista Conjuntura & Planejamento traz reflexões dos pesquisadores da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia vinculada à Secretaria do Planejamento, acerca dos impactos da atual pandemia na atividade econômica.


Nesse contexto, num cenário de desaceleração econômica mundial, a equipe de acompanhamento conjuntural da SEI analisou os principais indicadores da economia baiana no primeiro semestre de 2020. Na avaliação dos técnicos, o comprometimento da atividade econômica no estado – num cenário de queda do nível de atividade nacional e de taxas reduzidas de inflação e juros – é resultado dos impactos da pandemia da covid-19. De acordo com as informações divulgadas pela SEI, o PIB da Bahia apresentou queda de 8,7% no segundo trimestre de 2020, na comparação com o mesmo período de 2019. Com esse resultado, a variação no primeiro semestre do ano foi negativa em 4,4%.


Na seção Ponto de Vista, esta edição conta com a reflexão de Jorgete Oliveira Gomes da Costa, economista pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e diretora-geral da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), acerca das atribuições da instituição no quadro da pandemia. Ao apresentar os trabalhos desenvolvidos a partir do reconhecimento público do cenário pandêmico, Jorgete Costa chama a atenção para a rapidez e a riqueza de informações trazidas pelo órgão. Na sua avaliação, mesmo não percebendo uma estratégia nacional clara e uniforme para enfrentamento da situação, a SEI agiu de forma rápida, elaborando um plano de ação envolvendo todas as suas diretorias técnicas. Assim, trabalhos relevantes foram desenvolvidos pela instituição, reafirmando seu papel de prover informações à sociedade e subsidiar o governo na formulação de políticas públicas.


A seção Entrevista traz a contribuição da diretora-geral do Instituto Couto Maia (Icom), Ceuci de Lima Nunes. Especialista em infectologia, com vasta experiência na área da saúde, a entrevistada faz uma reflexão sobre a gravidade do momento, trazendo na perspectiva da dinâmica do hospital Couto Maia os principais desafios no combate à covid-19 na Bahia. Segundo ela, as doses de vacinas devem estar disponíveis dentro de no mínimo dois anos. Portanto, enfatiza que uma doença que não tem vacina e não tem tratamento específico comprovadamente eficaz, a única forma de prevenção é o distanciamento social e o uso de máscara. Ceuci Nunes também apontou a demora do país em adotar medidas para conter a doença e a importância da ciência e do sistema de saúde para resolver as emergências em saúde pública mundial.


Assim, a edição 199 da C&P revela que mesmo num momento de tantas incertezas, a instituição continua informando a sociedade e analisando as ações dos governos federal e estadual. Nesse aspecto, a SEI pretende ser, por meio da revista, espaço aberto para discussões de ideias que contribuam para o desenvolvimento econômico e social da Bahia, ao mesmo tempo em que convida o leitor a fazer uma reflexão sobre as variáveis que afetam o desempenho da economia nos âmbitos nacional e estadual, em curto e longo prazo.

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