Carta do editor

Resumo

A revista Conjuntura & Planejamento (C&P), na edição 201, traz à reflexão temas que permeiam o planejamento da atividade econômica, no momento marcado por incertezas quanto à trajetória das economias brasileira e baiana. Em 2021, o País vivenciou uma retomada do processo inflacionário, colocando no centro das discussões a condução da política macroeconômica. Após o segundo trimestre, em que a economia registrou recuperação, dado ao avanço da vacinação no País e a gradual flexibilização das restrições e da abertura do comércio e serviços, no terceiro trimestre, a atividade econômica sentiu os impactos da inflação e do maior aperto monetário.

A despeito de um cenário adverso, marcado por uma pandemia reconhecida pelas autoridades e que se transformou numa crise econômica, atingindo diversos setores da atividade econômica, a revista Conjuntura & Planejamento continua com o seu propósito de informar. É nesse cenário que a equipe de conjuntura traz em discussão o momento vivenciado ser de recuperação ou de incertezas. Apesar da melhora na crise sanitária, ainda há bastante insegurança sobre a manutenção do ritmo de crescimento em 2022 em razão, entre outros fatores, do risco de disseminação de novas variantes do vírus Sars-Cov-2, das elevadas taxas de desemprego, da escassez de insumos, que se reflete na alta taxa de inflação, e do aumento da taxa básica de juros.

Entre os colaboradores, esta edição apresenta, na seção Ponto de Vista, uma reflexão da secretária do Meio Ambiente, Márcia Telles, retratando os desafios para preservar o meio ambiente na perspectiva do Inema. Na sua análise, “preservar, reduzir emissões de gases de efeito estufa e construir a tão almejada sustentabilidade são desafios que há décadas fazem parte de uma ‘eterna’ ordem do dia.” A questão é compatibilizar estas necessidades com um mercado de consumo cada vez acelerado, num contexto de explosão demográfica. Nesse caso, questiona-se como o estado pode ser protagonista num movimento de natureza multidisciplinar. Para Telles, a postura de vanguarda da Bahia na pauta ambiental é uma marca reconhecida por outros estados da Federação. Os últimos 12 anos foram marcados por decisões técnicas e políticas que trouxeram avanços em termos de gestão, dentre estas a estruturação dos Sistemas Estaduais de Meio Ambiente e de Recursos Hídricos e sua principal instituição de execução, o Inema e a implementação do Sistema Estadual de Informações Ambientais (SEIA). Além disso, associados ao SEIA, avançou-se na disponibilização de informações geoespaciais via Geobahia e, hoje, com o Módulo de Cadastro Estadual Florestal de Imóveis Rurais (CEFIR) e sua sincronização com o Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (Sicar) em nível nacional.

A seção Entrevista traz a contribuição do engenheiro civil, professor e pesquisador Asher Kiperstok sobre as discussões em volta das mudanças climáticas para o meio ambiente. Dentre os diversos aspectos abordados sobre os seus impactos e as alternativas a serem adotadas, têm-se a questão das crises hídricas. Para Kiperstok, é importante lembrar que essas crises são decorrentes das alterações da oferta de água e a total e absoluta ausência de uma gestão racional da demanda, ou, ainda, da falta de racionalidade na gestão integrada da água. Para ele, “não vamos atribuir à mudança do clima todos os efeitos que resultam de uma gestão irresponsável dos recursos naturais”. Na sua avaliação, o fenômeno da mudança do clima afeta, simultaneamente, os oceanos, a atmosfera, os continentes e as interações entre eles. Seu enfrentamento demanda ações integradas a fim de reduzir a velocidade com que esses processos se intensificam, bem como àquelas que já se verificam de forma espontânea, decorrentes das alterações provocadas pela ação do homem. Para tanto, o primeiro passo é a conscientização de que o fenômeno é irreversível, devendo ser criado mecanismo de adaptação para a nova realidade, que não se conhece adequadamente. Além de criar condições para reduzir o ritmo de emissões não apenas de carbono para atmosfera como as de nitrogênio reativo. Não sendo possível, portanto, pensar apenas no desenvolvimento tecnológico.

Entre os artigos que integram este número da revista está o de Fernando Pedrão, intitulado Recuperar o planejamento para o Brasil – Ensaio em honra de Jorge Ahumada. Nesse trabalho, propõe-se discutir acerca da mudança no cenário marcado pelo fortalecimento do mercado interno, evidenciado no crescimento econômico e na expansão do mercado de trabalho. Têm-se também mais dois outros trabalhos intitulados Transferências governamentais e a importância das emendas parlamentares no orçamento público: estudo dos municípios do Recôncavo da Bahia e A incorporação imobiliária e o papel do Poder Público Municipal no processo de evolução urbana do município de Dom Basílio (BA), de Caio Almeida dos Santos e Doraliza Auxiliadora Abranches Monteiro, e Alex Moreira Ramos e Fernando Barreto Nunes Filho, respectivamente.

Assim, a edição 201 da C&P, além de oferecer discussões de caráter estruturante sobre o planejamento e os desafios para as economias brasileira e baiana em uma conjuntura adversa, aborda alternativas que viabilizem o crescimento econômico em longo prazo, numa perspectiva de preservação do meio ambiente. Nesse aspecto, a SEI, não tendo pretensões de esgotar o assunto nem de emitir juízo de valor sobre as questões aqui discutidas, convida o leitor a fazer uma reflexão sobre as variáveis que determinam o comportamento da economia nos âmbitos nacional e estadual, em curto e longo prazos.

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Publicado

2022-02-24

Como Citar

Carta do editor. (2022). Conjuntura & Planejamento, (201), 4–5. Recuperado de https://publicacoes.sei.ba.gov.br/index.php/conjunturaeplanejamento/article/view/370

Edição

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